Uma dama, um guerreiro e mistérios na estreia de contos de Fernando Souza

Por Brisa Literária, 19/09/15, às 21h57
No caminho do perdão
Eu errei. Todos erram, eu sei, mas não como eu. Eu consegui perder a garota que amo. “Como?”, você me pergunta. Digamos apenas que fui um idiota. Como aconteceu isso? Está com tempo, meu caro amigo? Sente-se e peça uma bebida, pois isso poderá ser longo. 
Era um dia de chuva. Eu caminhava sozinho pela estrada de terra. Completavam quatro anos desde minha última missão. Eu havia falhado. Eu devia proteger, junto com meus soldados, uma pequena vila. Recebemos notícias que um grupo de bandidos iria atacá-la na calada da noite, e que não deviam ser mais do que cinco ou seis.

A noite caiu e estávamos lá, eu e meus homens, de prontidão, na iminência de sermos surpreendidos. Nunca imaginaríamos que eles viessem como vieram. Estavam montados em bestas que até hoje não consigo descrever. Fizeram dos meus corajosos homens medrosos. Nunca os havia visto assim. Meu coração também se despedaçou com a situação.

Fomos massacrados naquele dia. Tive sorte de sair vivo. A última coisa de que me lembro naquela noite, antes de desmaiar, foi o sorriso sarcástico de um dos bandidos. Acordei na manhã seguinte em uma vala para mortos. Os corpos dos meus soldados estavam por cima de mim. Não sei como sobrevivi naquele dia.

   Tentei me achar. Estava completamente perdido, cheio de dor e tristeza.

     Foi através de um riacho não muito conhecido que consegui me encontrar. Caminhei seguindo ao lado de sua violenta correnteza. Consegui encontrar o reino, de onde fui para a missão. Aos portões do castelo, os guardas receberam-me com espadas em meu pescoço. Não entendia o que estava acontecendo.

Seu traidor! — gritou um dos soldados para mim. Como... Como pôde? — a voz dele estava carregada de raiva. Eu estava sem entender o porquê daquilo. Então, antes que pudesse pronunciar alguma palavra, senti minhas mãos sendo levadas para trás e um saco sendo posto em minha cabeça.

Se não fosse o rei querer vê-lo... Eu tiraria a sua vida agora mesmo — senti um empurrão em minhas costas e as mãos sendo amarradas. Após isto, esbravejavam contra mim como se eu fosse o pior dos vilões. Cerca de uma hora depois, após subir as escadas e caminhar pelas ruas íngremes, entrei numa construção,  bateram em minhas pernas... ajoelhei. E o saco foi tirado de uma vez. A vista doía com a luz do sol atravessando a janela.

Imponente, com sua armadura dourada, estava o rei acariciando a sua barba longa e cinzenta, sentado no trono com sua outra mão apoiada no braço, olhava-me de cima. Sua expressão demonstrava insatisfação, talvez um pouco de raiva. Não disse uma palavra à minha entrada, e  com a mão fez um sinal para que os guardas se retirassem.

Então. Pode explicar-me o que aconteceu há dois meses atrás naquela vila? — indagou o rei a mim, com sua voz serena.

Senhor, meu rei. Faz apenas algumas horas desde que despertei... — eu iria continuar a falar sobre o que aconteceu na vila, mas ele com um tom alto de voz me interrompeu.

Cala-te! Quem deu-lhe a permissão de falar? — falou erguendou-se de seu trono. Há dois meses atrás, a vila que deveria proteger foi completamente destruída. Crianças foram degoladas, seus pais pregados às portas da vila. Não encontramos indícios de você e de seus soldados.

A sua mão pegou algo, que não pude ver, em uma pequena mesa ao lado do trono, e em seguida mostrou, diante dos meus olhos, o brasão. O meu brasão.

O que encontrei foi apenas isto! Que é mais do que suficiente para comprovar a sua culpa.

Mas... — tentei falar, mas antes disso senti um tapa em meu rosto.

Minha querida sobrinha passava a noite daquele dia na vila. E meu filho estava entre seus soldados, lembra-te? Guardas! — gritou o rei, sentando mais uma vez ao trono, e colocando o brasão novamente à mesa ao seu lado. Sua mão esquerda tamborilava sobre o braço do trono, e sua mão direita apoiava-se em sua barba cinzenta. Levem-no ao calabouço!

Eu estava caído ao chão. Colocaram novamente o saco sobre minha cabeça, e com violência me ergueram. Eu cambaleei durante os primeiros momentos. Dois meses? Eu não fazia ideia de que tinha se passado tanto tempo. Eu já tinha levado muitos prisioneiros até o calabouço, mas o caminho que faziam era diferente; estavam me levando a outro lugar.

Quase duas horas de caminhada. Atravessei vários lugares íngremes, até que, por fim, o chão era pavimentado. Andei por mais quase quarenta minutos. O lugar era úmido. Podia ouvir somente os gemidos de presos sendo torturados. Então o lugar me veio à mente. Era a prisão daqueles destinados a sofrer o resto de suas vidas. Eu nunca tinha ido lá, e agora iria passar o resto de minha vida a sofrer, sem ao menos entender o que tinha acontecido. Fui empurrado violentamente, caindo no chão de pedra. Senti minhas amarras sendo cortadas.

Pode se levantar... Prepare-se que amanhã será um dia divertido — ouvia-se a voz, depois o barulho do metal sendo arrastado. A cela fora fechada, assim pensei. Quando consegui retirar o capuz, o dono da voz já havia sumido em meio à escuridade dos corredores.

Via-me em um cubículo, não devia ter mais do que dois metros de largura por um e meio de comprimento. Não havia cama, apenas uma pequena abertura no teto próximo à parede, por onde o ar e a luz do sol entravam. Eu apenas sabia que agora estava a quilômetros de qualquer civilização, de qualquer contato. Estava longe demais para provar minha inocência...

As torturas a cada dia ficavam piores. Os guardas que me chicoteavam, gritavam no meu ouvido, dizendo “Você não foi valente, você foi incapaz, você está tendo o que merece por ter feito aquilo!” A comida, por vezes, vinha infestada por larvas. Em outros dias de inverno, me acordavam em plena madrugada, com um grande balde de água. Achava que aquilo nunca ia acabar. Foi assim durante os dois primeiros anos.

Nas poucas horas que me deixavam livres, eu conseguia descansar. Pensava que o inferno poderia ser melhor que aquela tortura. O local destinado a dormir ficava exatamente debaixo daquela pequena abertura no teto com grades, e nos dias de chuva eu não conseguia dormir. Por Deus! Eu agradecia por nunca ter pego alguma doença.

Um dia desses, na rotina de prisão, espalhou-se a notícia que os guardas seriam trocados. Eles haviam cometido um crime muito grave, e foram depostos de seu cargo. Eu esperava de tudo naquele dia, menos uma notícia dessas. Foi algo agradável aos ouvidos, mas logo isso sumiria de acordo com meu pensamento. Novos guardas viriam, e a rotina se reiniciaria.

Eu descansava, naqueles momentos preciosos antes dos novos guardas chegarem. Podia ouvir, no final do corredor, o chefe dando instruções a eles. Cerca de uma hora depois, uma voz um pouco rouca pronunciava-se.:

Acordem! O seu novo carrasco chegou! — podia ouvir a batida da espada no metal das celas. Ei! Você! Seu vagabundo, acorde! — dizia a voz, com grande satisfação, quando passou em frente à minha cela.

Mais um dia... — eu dizia com um tom de desânimo, ainda deitado no chão de pedra daquele cubículo. Algo me fez abrir os olhos naquele momento. Talvez uma gota de chuva ingrata, não me lembro direito.

E lá estava o guarda, ou melhor dizendo, a guarda. Estranhei, todos estranhariam. Aquele lugar não foi feito para mulheres, mas ela tinha lá um pouco de jeito masculino. Era morena, de cabelos cacheados. Comecei a me levantar, e questionei-a.

 Com licença, mas agora estão aceitando mulheres em um lugar imundo e corrupto como esse?

 Engraçadinho — a guarda pegou a espada em sua cintura e bateu a lâmina contra o ferro da grade. Era claro que era não tinha experiência em combates, pelo jeito como a segurou.   Agora acorde! Vou gostar de te torturar.

Após suas palavras calei-me, sabia que não era prudente continuar a conversa, ou poderia ser torturado com óleo fervente, igual ao ano passado. Só a lembrança da dor foi o suficiente para me contorcer naquele chão gélido.

Durante a madrugada fui acordado com um balde de água. Era ela. Ela estava com o rosto fechado. Parecia levar aquele trabalho mais a sério que os últimos guardas que riam da minha cara.

Levante — disse ela em um tom calmo. Ela começava a abrir a cela. Espero que não esteja com sono. Chegou a hora de sua tortura.

Após levantar, pude perceber ao seu lado mais dois guardas. Um deles segurava um lampião. Estendi os braços, ela amarrou meus pulsos e começou a puxar na frente. E então a tortura prosseguiu, não vou contar porque é algo muito doloroso e repugnante o que aconteceu. Só posso dizer que me jogaram na cela, após a tortura. Eu tremia de frio.

 Gostou da noite? — disse a guarda com um tom um pouco sarcástico. E deu as costas. Eu podia ouvir suas palavras tristes enquanto ela se distanciava. Não queria ter escolhido esse trabalho...

Tremendo de frio, consegui pegar no sono algumas horas depois. Não cheguei nem a sonhar. No dia seguinte comi aquela putrefata comida que me serviram. A noite vinha, e mais uma vez fui acordado com um balde de água fria. A rotina se reiniciou, a jovem guarda me conduziu novamente à tortura, e em seguida somente ela me jogara na cela mais uma vez.

Dessa vez fora um pouco diferente. Eu esperava que ela fosse embora como os antigos guardas. Só que não. Ela agachou em frente à cela, e ficou me olhando. Ficou assim durante um bom tempo, me observando bater os dentes de frio. Até que finalmente peguei no sono, observando-a. Mal consegui dormir, ela batia nas grades de metal, com um pequeno sorriso no rosto.

Essa noite não — dizia ela não irá dormir. Quero saber o que realmente aconteceu naquele dia.

Sen...nho...rita — minha voz saia trêmula sabe muito bem o que aconteceu.

 Então, aquilo é verdade? — dizia ela com a voz fria. Meu irmão estava entre os seus soldados. Eu sei que ele nunca faria o que disseram que ele e o senhor fizeram.

 Acreditarás na minha história? — deitado, fiquei olhando para ela.

Conte, eu direi se acredito ou não — dizia ela jogando uma broa de milho fresca pela cela.

Bem, senhorita... — com muito esforço me sentei. Levei minhas mãos à broa de milho, e cheirei por um momento. Estava fresca. Já ficou muito tempo sem comer algo que gostava, que por muito tempo não encontrou? Imagine que de repente aquilo surja na sua frente. Foi o que senti. Abocanhei um bom pedaço da broa antes de continuar.  Como sabes, fui enviado à missão naquele dia... — contei lhe tudo o que me lembrava, desde quando cheguei à vila até quando fui recebido como um assassino, meses depois. E então, acredita em mim? — dizia abocanhando mais um pedaço da broa de milho.

Muito bem — ela se levantou.  Então meu irmão morreu lutando. Como deveria ser feito — ela não disse mais uma palavra aquela noite e suas mãos, cerradas com força, demonstravam sua raiva e fúria.

Dias se seguiram, e a tortura continuava. Era sempre ela que estava a me torturar, mas ao mesmo tempo era reconfortante. Tinha dias que ela conversava comigo a noite inteira. Porém, ela ainda estava fechada. Em um desses dias notei um corte no rosto da mulher.

Então, senhorita... — a minha voz saía um pouco trêmula, por causa do frio da madrugada. Como arranjou este corte?

Não lhe interessa — respondeu ela, me observando  foi apenas um acidente, nunca fui boa com espadas.

 Eu poderia lhe ensinar... Quero dizer, dar dicas. Já que não me tiraria da cela.

 Muito bem, sabichão, o que pode me dizer? — dizia ela de modo ríspido.

 Com muito prazer, senhorita — levantei me apoiando na parede daquele cubículo. Tenho observado que não segura com firmeza, e deve posicionar sua mão um pouco mais abaixo, está muito próximo à lamina...

Hum... Então obrigada, Mestre — dizia ela com um pequeno riso. Mal eu imaginava o que aquilo poderia significar para mim hoje em dia. Quem dera eu visse aquele sorriso hoje.  Agora, tenha um bom resto de noite. Amanhã terá mais tortura.

Como quiser, senhorita. Se quiser mais dicas, sabe onde me encontrar — dizia, esboçando um sorriso que ela não pode ver, pois já caminhara. Era o meu primeiro sorriso em anos.

O tempo ali fora passando. As madrugadas, apesar das torturas anteriores, estavam ficando um tanto agradáveis. Com o tempo, as conversas tornaram-se mais descontraídas. Por sorte, na minha ala de prisioneiros, eu era o único. Aquela jovem, apesar de me torturar, trazia o conforto naquele lugar sombrio, vazio e cheio de tristeza.

Até que eu finalmente percebi o que realmente acontecia naquela prisão. Na madrugada morna, eu jamais tinha visto ou ouvido outro prisioneiro naquele lugar. Era estranho. Muito estranho. Talvez a ala fosse só para mim, nunca saberei ao certo.

Aos poucos, as torturas foram diminuindo. Inclusive estranhei tal fato. Até que em uma noite sem torturas, a jovem guarda nem sequer olhara nos meus olhos. Havia algo de errado. Sentado naquele chão gélido, perguntei-lhe:

Com licença, guarda. Por que me evita hoje?

Por nenhum motivo — ela disse parando, mas sem olhar para mim — apenas estou atrasada.

 Se não for incômodo, poderia me dizer o porquê?

A vida de um guarda não é interessante a um prisioneiro — ela disse em um tom frio.

Pois bem, senhorita, já vi que está com a cabeça em outro lugar — disse-lhe, me deitando.  Tenha uma boa noite de trabalho.

Talvez eu soubesse o que se passava com ela, mas fechei meus olhos para a situação. Eu sentia o mesmo, porém disfarçava. Estávamos nos aproximando mais do que devíamos, apesar da distância nos separar. Ela era uma guarda, eu um reles prisioneiro. O conforto das conversas taciturnas, noturnas, são inesquecíveis.

Os dias prosseguiam, tornando-se meses. Entre uma conversa ou outra, eu conseguia arrancar um riso dela. Ela estava melhorando em seu combate, visto que quando ela chegou lá, qualquer prisioneiro que fugisse, poderia rendê-la. Os meses passaram e completou-se um ciclo. Fazia um ano que ela havia chegado lá, e naquela noite sem tortura em um de nossos rotineiros palavreados, resolvi perguntar algo que ela não havia mencionado até então.

Com licença, madame — disse-lhe, segurando nas barras da cela. Seria muito incômodo perguntar por que escolheu este emprego?

Passar o tempo talvez. Seria algo para apenas me sustentar durante os primeiros meses, mas acabei ficando — disse ela, em um tom calmo.

Compreendo. Ficou por causa de mim? — foi uma pergunta indiscreta eu sei, mas eu tinha que perguntar.

Pode ser. Você é um dos poucos que, quando converso, me acalmo. Mas... — ela se calou, parecia que ia dizer algo.

Não precisa dizer. Eu a compreendo nesse ponto. Também ando sentindo o mesmo — sentei-me ao chão de pedra.

 Tudo bem — ela ficou me olhando.

Sabe que isso é complicado. Apesar de nossos corações estarem próximos, existe uma grande fenda que nos separa — disse a ela — mas eu estaria disposto a tentar. Quem sabe algum dia o rei descubra a verdade sobre aquele dia na vila e me solte. E você, estaria disposta a tentar?

 Eu estaria me arriscando muito ao fazer isso. Posso perder meu emprego se o fizer. Mas essa distância um dia sumirá. Por que não? — ela respondeu com um sorriso no rosto.

Meu coração se encheu de alegria naquele momento. Uma emoção que havia sumido de mim, há anos atrás. Os meses que se seguiram foram maravilhosos, as torturas pararam com o tempo, pelas próprias ordens do rei. Até que um dia, em mais uma fria madrugada, fui surpreendido com a jovem guarda abrindo a minha cela com uma certa velocidade.

 Acorde! — gritou ela. Precisamos sair daqui rápido, eles te executarão hoje.

 Como assim? — levantei-me, surpreendido por tal notícia. Execução?

É. Há muito chegou uma carta à qual só meu patrão teve acesso. Ele apenas mencionou que era uma ordem de execução — ela abria a cela, estendendo a mão para mim. E hoje, na sua falta, eu tive que assumir a sua posição, como a próxima em comando. E vi o nome de quem seria executado em praça pública. Era o seu.

Tudo bem, então vamos! — me levantei com a ajuda dela e corremos pelos corredores.

Eu sentia uma larga alegria naquele momento, por ela ter me libertado, mas por que ela teria feito isso? Será que o nosso sentimento era tão forte assim? Continuamos a correr com toda força que conseguimos. Hora ou outra, eu precisava parar para pegar fôlego, fazia anos que não tinha uma atividade física dessa magnitude.

Eles virão aqui na prisão, precisamos achar outra saída — disse ela, olhando a cada interseção de corredores. Eu conheço uma, mas não é muito agradável. Mas primeiro, precisamos dar um jeito naquele guarda.

Tudo bem — eu disse olhando pelo corredor iluminado por lampiões deixe que eu faço. Não quero que seja culpada por libertar alguém à beira da morte, e pagar com a sua vida — tomei a liberdade de ir na frente, a olhei e segurei suas mãos. Me desculpe, mas não quero que sofra junto a mim, só a quero ver sorrindo.

Mas você não sabe onde é a saída — ela retrucou. Antes que pronunciasse sua próxima palavra, a interrompi.

Então, apenas me diga aonde é que irei — disse, olhando-a nos olhos. Eu queria muito que viesse comigo, mas é perigosa a jornada — olhei brevemente para o guarda que agora vinha do corredor., ele estava de cabeça baixa.

Logo depois desse guarda — ela sussurrou, lágrimas estavam em seus olhos — está a saída — então soltou-se de minhas mãos e deu as costas. Vá logo, não tem tempo a perder.

Não a deixei terminar de falar. Utilizei de um truque sujo. Me arrependo até hoje. Quando ela virou as costas, golpeei sua nuca, deixando-a inconsciente. Foi a última vez que a vi. Segui pelo corredor apressado. Entrei em um combate com o guarda, que, pelo seu modo de lutar, era inexperiente. Não foi difícil abatê-lo, deixei-o no chão com três movimentos.

Corri, encontrei uma pequena saída, que ia dar nos esgotos. E lá entrei. Depois de muito caminhar, acabei achando escadas de metal enferrujado, ao topo uma saída. Não havia luz. Subi as escadas e me deparei com o luar, eu estava em um beco. As paredes ao meu redor estavam rachadas. Andei por alguns metros e me deparei com uma planície, cheia de árvores mortas. Havia esqueletos de animais por todos os lados. Fiquei vagando por dias, me escondendo de patrulhas de guardas e me alimentando de pequenos animais que ali vagavam. Sobrevivi, mas isto é uma outra história, meu caro amigo.

Eu traí a confiança dela naquele dia. Creio que ela nunca mais deve querer olhar na minha cara. Será que eu ainda teria alguma chance se retornasse? Se dissesse que estava arrependido de tudo o que eu fiz? Hoje, recebi notícias que o reino está em guerra, e aquela prisão onde eu estava será atacada em poucos dias. Eu não ficarei parado, daqui a pouco pegarei o meu cavalo e cavalgarei para lá para resgatar um dos poucos motivos pelo qual ainda não tombei em batalha.

Ei, taverneiro! — joguei uma bolsa de moedas.  Fique com o troco! — disse-lhe, levantando do banco em frente ao balcão, e saí em direção às portas, com um único destino.

            Será que a donzela me perdoará?
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