Pequena crônica de amor e saudade

Por Thales Delfim, 15/06/15, às 10h50


O encontro    

   Estava vindo da casa do meu pai, lá do outro lado de Ricardo, quando no meio do caminho encontro minha vó indo em direção à casa dela. Aguardei-a atravessar a estrada pela faixa de pedestre... e quando ela chegou no lado em que eu me encontrava, parei um pouco para conversarmos, apesar de tê-la visto horas antes e termos tomado café.
   Pois bem, ela falou: — Vai pra casa, meu filho, que está tarde!
  E assim fui. Atravessei a estrada e ela ficou na outra extremidade me olhando passar... Quando cheguei, meu deu um "té logo" acenando com a mão e se virou. Eu fiz o mesmo gesto, mas fiquei a olhar ela indo embora pelo caminho da bueira. Aquilo foi me dando uma certa angústia ao vê-la indo. Confesso que um pouco de dor pela partida, ainda que eu tivesse, em mim, a certeza que amanhã a veria de novo. Fiquei olhando-a seguindo no próprio ritmo, com vagarosa segurança para caminhar entre a calçada esburacada e lamacenta, pela fina chuva que havia caído, com força nos braços para equilibrar o guarda-chuva e sua sacola de coisas.
  E eu olhando-a partir para sua casa, pelo caminho de sempre. Eu com olhos tristonhos para ela, uma angústia pela partida, embora curta, ainda assim dolorosa. Ali, repentinamente, fui tomado por uma saudade, como não fosse revê-la a partir do momento em que ela desaparecesse pela bueira adentro.







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